ROTEIRO DE PESQUISA DA VIAGEM
Biologia
Cerrado (RPPNs e sociedade de cupins)
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro localizado em uma grande área do Brasil central. Por fazer fronteira com outros importantes biomas (tais como a Amazônia, a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pantanal), esse ecossistema detém uma grande parte da biodiversidade brasileira (cerca de 33%).
Além disso, o Cerrado apresenta algumas peculiaridades em suas características. É importante lembrar que, para um estudo mais rigoroso, esse bioma deve ser chamado de Domínio do Cerrado (quando a intenção é fazer referência em sentido amplo). Isto significa dizer que outras feições morfológicas ou condições ecológicas podem ocorrer em um mesmo Domínio. Dessa forma nem tudo que se encontra ali é Bioma de Cerrado (Veredas, Matas de Galeria, Matas ciliares são alguns exemplos de representantes que diferem do que é dito Cerrado típico, porém este é o que aparece em maior representatividade). Portanto, podemos caracterizar diversos tipos fitofisiomórficos do Domínio do Cerrado tais como:
- O CAMPO SUJO, que é formado geralmente por uma grande parte de gramíneas e arbustos e árvores espaçados entre si (dando um caráter menos denso, se comparado com outras fitofisionomias de savana).

- O CAMPO LIMPO, que é formado predominantemente por gramíneas. Tem um aspecto de “pasto”. Geralmente se encontra em um solo extremamente pobre (de natureza química ruim), e por isso não se encontram muitos vegetais de grande porte (pois a falta de nutrientes é um fator limitante para o crescimento destes).

Campo Limpo repleto de cumpizeiros devido a composição química do solo. Esses cumpizeiros são a habitação de insetos sociais da ordem isoptera, conhecidos por cupins. Estes possuem uma organização em castas bastante curiosa. Essa sociedade é basicamente constituída por um rei e uma rainha (reprodutores), por operários (que executam os trabalhos de armazenar a comida e etc) e por soldados (que cuidam da segurança do cupinzeiro) e são morfologicamente diferentes.
- O CERRADO TÍPICO (ou sensu stricto) que detém em média 50% de árvores e arbustos e 50% de gramíneas. É a paisagem característica quando se pensa em bioma Cerrado.

- A MATA CILIAR, que é formada por uma cobertura vegetal densa, com árvores grandes e com um microclima um pouco mais úmido. Fica em áreas onde há uma maior disponibilidade de água (geralmente próximo a cursos d’água, rios, etc.).
PS: mata de galeria e mata ciliar não são a mesma coisa. A ciliar normalmente margeia o curso d’água e a de galeria é aquela que dá aspecto realmente florestal (de fato forma uma galeria). Comumente aparece - mata de galeria -> mata ciliar -> rio.

- A VEREDA, que é caracterizada principalmente pela presença de buritis (palmeira que tende a aparecer em lugares encharcados com água). Normalmente aparece em áreas onde o solo é um pouco mais “raso” ou que o lençol freático é mais superficial, dando oportunidade de surgir pequenos olhos d’água.

Outro aspecto curioso deste domínio são as adaptações (ou conseqüências de uma seleção natural) que grande parte dos vegetais adquiriu. Antes de ressaltá-las, há uma importância de se comentar que essa região central do Brasil tem um clima (classificado como continental tropical semi-úmido) com duas estações bem definidas: uma seca (que começa em abril e vai até setembro) e uma chuvosa (que começa em setembro e vai até março). É importante comentar também que o solo é muito antigo e com baixa fertilidade natural (um pH bastante ácido, elevado conteúdo de alumínio e baixa disponibilidade de nutrientes, como fósforo, cálcio, magnésio). Dessa forma impõem-se alguns fatores limitantes (a estação seca, por exemplo, limita a quantidade de água e favorece o fogo) para o crescimento de plantas adeptas a situações mais favoráveis. Porém, as plantas do Cerrado apresentam o que é chamado de ESCLEROMORFISMO, que são um conjunto de características que em grande parte se adequam a situação limite da região.
O Escleromorfismo (do grego εσκλερος (esclero)=duro/morfismo referente a forma) é extremamente presente nas árvores do cerrado (tem-se por exceção a maioria das árvores de mata ciliar, mata de galeria e veredas). Tem-se por principais características:
· A presença de uma folha mais rígida normalmente com pêlos, que auxilia na menor perda de água durante o período seco.

· A presença de um caule tortuoso (devido a acidez e também ao fogo que queima gemas apicais e favorece o crescimento de ramos laterais) e também a presença do súber (tecido vegetal de célula morta que forma uma espécie de cortiça e auxilia na proteção do floema e do xilema quando há fogo).


É fundamental ressaltar que a presença do fogo natural é determinante no Domínio Cerrado, pois controla a germinação de sementes, o aparecimento sincronizado de órgãos sexuais de plantas, não deixa acumular matéria seca em grande quantidade (o que evita uma eventual alimentação de um grande incêndio) e claro, é fator de seleção natural.
Com tantas peculiaridades é fácil compreender o porquê de uma exuberância em fauna e flora. Talvez sem essas características não conheceríamos a popular “bate-caixa” - Palicourea rigida- (que possui a folha mais dura do cerrado), o delicioso pequi - Caryocar brasiliense -, a bela Calliandra, as esdrúxulas canelas de ema, ou nem os sintuosos Pepalantus. Vale também elogiar os inúmeros representantes do reino Animallia que estão convivendo com estes vegetais, tal como o misterioso lobo-guará, a imensa herpeto-fauna (sapo cururu – Bufo schneideri-, rã-cachorro – Physalaemus cuvieri -, calango – Tropidurus torquatus -), as pacatas capivaras e antas, as raras onças, os famosos tamanduás-bandeira, os suaves veados-campeiros e dentre tantos que se mantêm vivos nesse universo de adaptações.










Contudo, a situação nessa savana não é só um mar de flores, visto que esse domínio esta sob grande ameaça de devastação por ação antrópica, principalmente com fins agropecuários. E essa degradação ocorre em ritmo alarmante (dados revelam que se continuar nesse desenfreado desmatamento o cerrado irá praticamente desaparecer em 2030). Sendo assim, além de extremamente importante a questão da consciência ecológica na população, é preciso criar (e cuidar) áreas de proteção ambiental. É onde entra em cena as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) que tem por dever conservar a diversidade biológica do Brasil. Durante a viagem o grupo teve a oportunidade de conhecer a RPPN Parque do Caraça que oferecia ótimo serviço ambiental (folhetos avisando o que deve e o que não deve ser feito, vídeo-aulas, etc.). No Brasil, para o Cerrado não há apenas esse parque, mas também outros, como por exemplo, o Vale das Araras (localizado no município de Cavalcante-GO), Fazenda Soluar (também em Cavalcante), Fazenda Santa Cruz (Colinas do Sul-GO). Fazenda Mingau (São João d'Aliança-GO), dentre outras. É de tamanha contribuição frisar que as RPPNs são iniciativas próprias dos proprietários da terra, mostrando o tanto que a consciência ambiental é importante.
Angiospermas (dicotiledôneas e monocotiledôneas)
Na Biologia, para que o estudo fosse facilitado criou-se a taxonomia, o estudo por táxons (grupos). Dessa forma os seres vivos foram agrupados por semelhança e divididos em grupos com várias subdivisões que vão do mais amplo para o mais específico. Dentre o principal critério de classificação tem-se o REINO. Cabe neste trabalho discutir subdivisões do reino PLANTAE.
No reino vegetal (conhecido por Plantae ou Metaphyta) agrupa-se de forma geral indivíduos autotróficos eucariontes e multicelulares. As divisões desse reino (filos) são basicamente Briófitas, Pteridófitas, Gimnospermas e Angiospermas cujo qual será objeto de estudo apenas o último grupo listado.
Angiosperma de palavras gregas significa sementes escondidas, ou seja, as sementes são envoltas por uma estrutura chamada de fruto que são normalmente (quando são considerados “frutos verdadeiros”) originados do ovário da flor (que é a estrutura sexual da planta). Esse filo é dividido em dois grandes grupos, conhecidos por Monocotiledôneas e Dicotiledôneas, aos quais são basicamente determinados em sua distinção pelo número de uma certa estrutura de dentro da semente (chamada cotilédone). Porém há alguns fatores externos que ajudam na identificação desses dois grupos. As monocotiledôneas por exemplo:
- Possuem folhas com nervuras paralelas
- Suas flores são normalmente trímeras, ou em múltiplo de três (número de pétalas),
Enquanto as dicotiledôneas possuem:
- Folhas com nervuras ramificadas
- Flores tetrâmera (4 pétalas), pentâmera (5 pétalas), ou múltiplos.
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